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18 maio 2012

 

 

Seca

O sol se desdobra por cima da serra

Rasga-se a cortina de luz no horizonte
E as valas do rio se vistas da ponte
Parecem trincheiras de um campo de guerra.
A cabra sem força caída inda berra
Vendo seu cabrito morrer sem mamar,
Coivara de bichos lançam pelo ar,
Fumaça dos restos mortais no nordeste
Eximindo a terra dos riscos da peste
Que leva temores pra beira do mar.


Com a cinza da seca nos dias tristonhos
O céu perde as cores aos olhos do mundo,
Açude e lagoa, com rachões no fundo
São fendas funéreas, sepulcro de sonhos.
Ossadas ladrilham, os vales medonhos
O chão desidrata, causando pesar
O uivo do vento parece gritar
Com a dor das feridas do nosso sertão
Retalhando as vidas que há sobre o chão
Dentro das caatingas distantes do mar.


De longe o mormaço no chão mais parece
O corpo da terra fritando e gemendo,
Oscila a imagem, treme parecendo
Que até as pedras tão fazendo prece.
Clama-se por chuva, que não aparece
Até mesmo pranto parece faltar,
Aves quando cantam, cantam com pesar
A saga de um povo e o seu triste destino
Que resiste as secas do chão nordestino
Distante das matas que cercam o mar.


Vejo um sertanejo partir sem transporte
Tangendo um cachorro fiel companheiro,
Rompendo a fronteira do próprio terreiro
Sem rumo traçado mirando na sorte.
Seguido de perto, pela própria morte
Vai cambaleando temendo parar
Não encontra sombra para repousar
Aves de rapina o agouram no espaço
É a fé e a seca na queda de braço
Nada parecidos com a beira do mar.


Lima Júnior

19 dezembro 2011

No Natal



No Natal

Eu segui uma estrela que no céu
Me guiou pelos becos da cidade,
Me fazendo enxergar a realidade
De esquecidas pessoas, tudo ao léu!
A fumaça das drogas era o véu
Que vestia a penumbra masmorral,
E seus restos de vidas sobre o sal
Do sobejo das ceias agendadas,
Dos esquecem Jesus pelas calçadas
Mas celebram a noite de Natal!

Os frangalhos de sonhos e ilusões
Com os trapos das roupas, confundidos,
O odor dos prazeres distorcidos
Misturados às cinzas dos porões.
Aves livres, à beira de alçapões
Onde a isca é a própria crueldade,
Onde a treva em que vive lhe invade
Quando o que mais almeja é ter a luz,
Mas o expulsam da festa de Jesus
Feito restos mortais da humanidade.

A sarjeta tornou-se o lar sublime
Dos que se irmanaram pela rua,
Onde o teto é o céu e a luz a lua
Pela força mordaz de vil regime.
O diploma exibido é o do crime,
Ser temido é a qualificação,
Foi criança, sonhou, mas a razão
Que a vida lhe impôs foi crucial.
Enxotado das festas de Natal,
Como crê que Jesus é seu irmão?


Carne em chagas, exposta ao sal do pranto
Pela cruz que só ele é quem enxerga,
A matéria sofrida que se enverga
Pra caber pra dormir, em qualquer canto.
Sua fé dirigida a qualquer santo
Que lhe possa servir de talismã.
No Natal bate a porta de uma “irmã”
Que na mesa da ceia, ouve somente:
- Por Jesus, dê-me um pão, sou indigente!
E a resposta que tem: - Passe amanhã!

Lima Júnior Poeta

31 agosto 2011

Capa do novo Livro de Poesia



Sonhando com amores na beira do mar


Nos mares da vida navego sem norte

Buscando o encanto dos sonhos que tive,

A certa esperança que em mim sobrevive

Põe-me à deriva, qual nauta da sorte.

Herói suicida da vida e da morte

Procurando um porto para ancorar,

E o mar caprichoso tentando afogar

As mágoas em mim, e meus sentimentos

Matéria intacta, alma em ferimentos

Em prantos de amores na beira do mar.


Não há quem de ruim não tenha bondade,

Não há quem de bom não tenha defeito,

Amor, que de tanto não caiba num peito

Ódio, que de pouco não gere maldade.

Não há como o cão, leal a amizade,

Nem como a mamãe para nos amar.

Mas há mais mistérios que eu possa afirmar,

Entre céu e terra, presente e futuro,

Instante que liga claro com escuro

Entre a flor da água e o fundo do mar.


Não há quem consiga medir a distância

Entre vida e morte, o céu e o inferno,

Nem mesmo a face do Deus que é Eterno

Já foi contemplada em qualquer circunstância.

Não há quem consiga guardar a fragrância

Que a planta do amor consegue exalar.

Mas há uma tribuna, que irá nos julgar

Dando ao bom o céu, e ao ruim o castigo,

É Deus separando o joio do trigo

Pra o banho da gloria nas águas do mar.


Lima Júnior

04 maio 2011

Dia das mães



Ninguém no mundo é melhor

Que nossa mãe, fielmente

Se o filho ri , ela ri.

Se o filho chora, ela sente.

Parte um pão e alimenta

Dez, vinte, trinta ou quarenta,

Parece até que é magia

Se sobrar parte ela come

Se não sobrar, passa fome.

Mas, não perde a valentia.




A mãe é quem sente bem

Quando o seu filho adoece

Pega um terço, se ajoelha,

Roga a Deus fazendo prece.

Caso não tenha dinheiro

Faz um remédio caseiro

Dá ao filho sem demora,

Nos pés da cama se prega

Passa sono e só sossega

Depois que o filho melhora.




Das palmadas que levei,

Hoje, somente agradeço.

Se me doíam na pele,

Era só, bem no começo,

Doíam mais em minh’alma

Depois pousava uma calma

No meu espírito levado,

Que sem maior rebeldia

Quando eu menos percebia,

Com mãe estava abraçado




Ah, mamãe se as palavras

Revelassem o teu valor

Se os meus atos pagassem,

Um só, dos gestos de amor;

De cada vez que eu chegava

Abatido e me deitava

No teu colo a lamentar.

Mas, nem levando uma vida

Dá pra pagar mãe querida

O que pudesse me dar.




Teu coração, mamãezinha,

Como é tão grande e potente.

Acomodar tantos filhos

Cada um mais diferente

Por mais que o tempo debata

Não perdes hora nem data

Em que cada um nasceu.

E hoje contigo abraçado

Me sinto presenteado

Neste dia que é só teu.




Todas as flores do mundo

Todas as mágicas da vida

Todas as bênçãos do céu

Pra você mamãe querida..

Estrofes carinhosas

Mãe é a parte sublime

No mundo de mil parcelas

Todos os adjetivos

Não dão pras virtudes delas

Deus não distingue nem mima

Usou um nome sem rima

Pra dar nome a todas elas

˜

Eu sinto tanta saudade

De minha mãezinha bela

Que cada mulher que vejo

É como se visse ela

Mas não vejo a confiança

Que sinto desde criança

Deitado no colo dela

˜

Mãe me deu a luz do dia

Por uma graça de Deus

Pra que eu fosse a alegria

Do brilho dos olhos seus

˜

Com magistral disciplina

A mãe com satisfação

Rege a orquestra divina

Com a música do coração

Por ser o farol da vida

Reino da escuridão