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24 dezembro 2011

19 dezembro 2011

No Natal



No Natal

Eu segui uma estrela que no céu
Me guiou pelos becos da cidade,
Me fazendo enxergar a realidade
De esquecidas pessoas, tudo ao léu!
A fumaça das drogas era o véu
Que vestia a penumbra masmorral,
E seus restos de vidas sobre o sal
Do sobejo das ceias agendadas,
Dos esquecem Jesus pelas calçadas
Mas celebram a noite de Natal!

Os frangalhos de sonhos e ilusões
Com os trapos das roupas, confundidos,
O odor dos prazeres distorcidos
Misturados às cinzas dos porões.
Aves livres, à beira de alçapões
Onde a isca é a própria crueldade,
Onde a treva em que vive lhe invade
Quando o que mais almeja é ter a luz,
Mas o expulsam da festa de Jesus
Feito restos mortais da humanidade.

A sarjeta tornou-se o lar sublime
Dos que se irmanaram pela rua,
Onde o teto é o céu e a luz a lua
Pela força mordaz de vil regime.
O diploma exibido é o do crime,
Ser temido é a qualificação,
Foi criança, sonhou, mas a razão
Que a vida lhe impôs foi crucial.
Enxotado das festas de Natal,
Como crê que Jesus é seu irmão?


Carne em chagas, exposta ao sal do pranto
Pela cruz que só ele é quem enxerga,
A matéria sofrida que se enverga
Pra caber pra dormir, em qualquer canto.
Sua fé dirigida a qualquer santo
Que lhe possa servir de talismã.
No Natal bate a porta de uma “irmã”
Que na mesa da ceia, ouve somente:
- Por Jesus, dê-me um pão, sou indigente!
E a resposta que tem: - Passe amanhã!

Lima Júnior Poeta