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01 novembro 2008

22 outubro 2008

Uma nuvem vazando sobre o monte
Como o pranto de um anjo sobre a terra
A natura vestiu de verde a serra
Pra beber na cascata do horizonte
Vem a lua banhar-se lá na fonte
E a brisa sentindo inveja dela
Sopra forte apagando a imagem bela
Quando a noite adormece delirando
E o dia desperta bocejando
Na paisagem real que Deus pincela

Quando o vento assovia lá na praia
Açoitando as madeixas de um coqueiro
Da garganta do mar exala o cheiro
Onde o chão se desdobra e o mar desmaia
Uma onda nas pedras rasga a saia
Quando o sol ensangüenta o firmamento
O castelo do céu na cor do vento
Se transforma em divina aquarela
Onde Deus se debruça na janela
Celebrando a magia do momento


POETA LIMA JÚNIOR

07 outubro 2008

PARODIANDO ZÉ LIMEIRA

Zé Limeira quando canta
Canta igual a um beija-flor
E a lua fazendo amor
A madrugada se espanta
Arrotando da garganta
Bafo de melancolia
E as coxas de Maria
O vento lambe de açoite
E a mão safada da noite
Ranca a cueca do dia

A lua escaramuçando
Correndo atrás duma estrela
O sol trepando pra vê-la
E São Jorge esbravejando
Por tá um chifre levando
Da rapariga do espaço
E a lua sem embaraço
Rasga a nuvem e fica nua
E eu vejo a bunda da lua
Peidando por onde eu passo

Vejo uma nuvem chorando
E um trovão achando graça
Uma borboleta passa
Pelo céu assoviando
Tem um PINTO paquerando
A GALINHA de Dedéu
E um raio cortando um véu
Passa sem tocar em nada
Como se fosse uma espada
Rasgando o saco do céu

Limeira dá uma facada
Lá na barriga da serra
Um pai de chiqueiro berra
Deixando uma porca enxertada
Traíra dando lapada
Queimando na brasa quente
E um cururu indigente
Morre de fome e de frio
Fugindo de um baixio
Com medo de uma enchente

Um jegue atrás de uma jega
Querendo fazer jeguinho
Encontraram no caminho
Um cego mais uma cega
Aí foi um pega-pega

E o cego com um pau na mão
Meteu à cega no chão
E a cega disse seu trouxa
Tire o pau da minha coxa
Meta na jega seu cão

Saudade é a catacumba
De enterrar cavalo branco
E viado estando manco
Diz logo que foi macumba
Corno é igual a boi bumba
Rodando em um salão
E pingunço de opinião
Quem encontrar na cidade
Pode esperar tempestade
De cachaça com limão

Lampião e Zé Limeira
Fazendo uma cantoria
Antes do final do dia
Tem pexeirada na feira
Uma velha cachimbeira
Atrás de fumo e de vela
Faca de serra banguela
No fumo do velho entorta
É a velha dizendo - corta
E o velho fugindo dela

Meu coração delinqüente
Escanchado na gandaia
Quando vê rabo de saia
Abre os dentes sorridente
O amor é uma serpente
Que veneno assume a vida
E as pregas de quem duvida
Dá a gota quando engilha
E quem não tem quarto de milha
Anda de jega parida

Promoção no cabaré
Quenga é 1,99
Amor pra otário é love
Depois é ponta de pé
Um besta num pangaré
Diz que é vaqueiro escasso
Que chupa cana de braço
E sem querer dizer puía
Porque só fica uma cuia
Quando se quebra um cabaço?

10 setembro 2008

Chora viola (Canção)

Caiu a noite, veio a solidão e você não veio
E os minutos rendem longas horas de desilusão
Minha viola em ensaia acordes em triste ponteio
E saudade se aloja na sala do meu coração

Refrão

Chora viola me embriaga a alma me faz entender
Essa distancia entre eu e ela que me faz sofrer

Confesso me à lua lastimando a sorte suplicando a Deus
Por um instante acredito ver você diante de mim
E quando eu tento tocar o seu corpo com os dedos meus
Seu holograma não tem consistência qual seu manequim

Meu peito ilhado por um oceano revolto de amor
Tornou-me um náufrago de um sentimento que me faz sonhar
E a noite inteira vou me debatendo sentindo o temor
De um maremoto que me invade a alma e me faz cantar.


POETA LIMA JÚNIOR

29 agosto 2008

Seu Aniversário no Nosso aniversário

Hoje é dia de festa, e não calculo
A alegria que sinto ao te abraçar
O meu peito no teu, dois corações
Um batendo pro outro sem parar
Chego até confundir qual é o meu
Pra saber precisamos nos soltar

Teu formato de boca pequenina
Ta na minha pra sempre desenhada
Outra boca na minha não se encaixa
Minha alma pra tua foi moldada
Meu sorriso é reflexo do teu
Sem o teu, meu sorriso vale nada

Dos teus gestos, os meus, pouco distintos
As palavras, sem plágios, parecidas
Dois olhares mirando o mesmo sol
Duas mãos apertadas, bem unidas
Duas vidas em uma, condensadas
Um só sonho, unindo duas vidas

Mil segredos, por dois, pra nós somente
Já me vives, te vivo, e nós vivemos
Confundindo os nossos pensamentos
Repetindo o que antes já dissemos
E o que não enxergam em nós dois
Só nós dois que sabemos sempre vemos

Some as horas vividas lado a lado
Entre nós, sem o medo do depois
Some os risos e prantos divididos
Para ver se houve lucro pra nós dois
Feito isso, somente resta agora
Nosso brinde de almas vida a fora
Sem saber o limite para o fim
Pelo jeito que vejo, o jeito nosso
Eu viver sem você não sei se posso
Que você é a vida que há em mim

18 agosto 2008

Nascido num pé de serra
Qual facheiro em pedregulho,
Venho cantar minha terra,
Explicitar meu orgulho!
Pajeuzeiro da gema,
Da terra onde a seriema
Canta saudosa à tardinha,
Se alguém um dia cantou
A terra que lhe criou,
Também vou cantar a minha!

Há quem lastime da sorte
De no sertão ter nascido,
Acho que nem mesmo a morte,
Me deixa diminuído.
Sou o que sou, e isso é tudo,
Por nada ficarei mudo
Quando precisar falar,
Mas, manterei meu respeito
E te darei o direito,
Quando sua vez chegar.

Minhas origens? Não nego!
Sou matuto da mão grossa,
E onde vou eu carrego
No corpo o cheiro da roça.
Digo: Pru mode e Oxente!
Sem vergonha dessa gente
Que condena o dialeto,
Moral, conduta e bondade,
Coragem e honestidade,
Faltando em ti, eu completo.

Aprendi com a seca braba
Me alimentar de esperança,
Beber meu pranto, que acaba
Quando a fartura me alcança.
Que a força dos meus braços,
Superam a do cansaço
Por faltar direito a isso,
E que o sol só acorda,
Quando a natureza borda
O dia com seu feitiço.

Que quando o galo canta
No palco da madrugada,
O sertanejo levanta
Para mais uma jornada.
Veste a coragem e a sina,
Sela o destino e se inclina
Por cima da montaria.
Tange a sorte e açoita a vida
Por rota desconhecida,
Nas curvas de mais um dia.

O suor banhando o rosto
É o creme que eu uso,
Pra esconder o desgosto
Do que me deixa confuso,
Curando os males da alma,
Abro a mão mostrando a palma
Sem medo de palmatória.
Porque na escola do mundo
Não se formou, vai pro fundo
Do fosso que cerca a glória.

A fé, é o meu escudo,
Minha arma, a confiança.
Meu coração mesmo mudo,
Brada a perseverança.
Meus olhos, são lamparinas
Nas tristes noites ferinas,
Pondo nas trevas... Um fim!
Abrindo um baú de sonhos,
Nos calabouços medonhos
Que existem dentro de mim.

Então eis-me, aqui! Simples Poeta!
Que despiu-se do medo e das agruras,
Completando o poema que completa
Minha saga de loucas aventuras.
Numa casa de barro e pau-a-pique
Eu nasci, sendo assim eu não sou chique
Sou um servo somente, um servo seu.
Condenado a cantar dores e amores,
E sofrer infortúnios destas dores
Porque nada emudece o peito meu.

12 agosto 2008

A morada de Deus é tão distante
Que é preciso morrer pra chegar nela



O relógio da vida marca a hora
Reservada pra ultima viagem
Sem comprar um bilhete de passagem
Nem saber o momento de ir embora
Perde a vista quem vai, quem fica chora
Quando a terra nos abre uma janela
O espírito se solta o corpo gela
E o caixão é o transporte mais possante
A morada de Deus é tão distante
Que é preciso morrer pra chegar nela

A matéria cansada não atende
Aos comandos da mente que se cansa
A pressão sobe e desce igual balança
Quando encurta a passada e o corpo pende
Sem a força vital não compreende
Vendo um anjo fazendo sentinela
Vem um sopro da morte apaga a vela
E a Deus manda mais um ser errante
A morada de Deus é tão distante
Que é preciso morrer pra chegar nela

Desencarna o espírito buscando
O trajeto do chão ao mundo oculto
Quem olhar não enxerga nem o vulto
Nem pra onde o espírito vai trilhando
Na alfândega do céu, alma chegando
Não se sabe o destino dado a ela
Se a face de Deus já se revela
Ou se não é visível seu semblante
A morada de Deus é tão distante
Que é preciso morrer pra chegar nela